segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

Persona

Persona, originalmente, significava máscara, a máscara que o actor de teatro usava.
Nos ritos com máscaras é ela que permite a metamorfose do mascarado num determinado numen.

No dia-a-dia usamos diferentes máscaras ao desempenharmos papéis distintos. Algumas máscaras cobrem apenas os olhos, enquanto outras descem até ao pescoço. O atendimento padronizado em muitas lojas exige que os vendedores (técnicos de vendas parece mais pomposo!) cubram os seus rostos por inteiro com uma máscara e desempenhem um personagem simples. Seja na vida profissional ou na familiar, vemo-nos obrigados a desempenhar determinados papéis. Ser simultâneamente guionista, encenador e actor; ser um só e ser tudo isso em cada instante. Perfeição! Ter o poder criar a própria realidade.

Ser actor numa qualquer peça teatral ou num breve jogo de papéis pode ajudar a desmascararmo-nos. E é aí que percebemos que, se quisermos e nos esforçarmos, podemos escolher a máscara a usar.

terça-feira, 20 de Outubro de 2009

Se registarmos os acontecimentos mais marcantes das nossas vidas, com a sinceridade que a memória permite, talvez seja inevitável darmo-nos conta de uma coisa: a nossa vida, assim como a daquelas que connosco interagiram, é um conjunto de episódios patéticos. Ainda assim, sofremos mesmo com todas essas patetices.

sexta-feira, 16 de Outubro de 2009

E ao estar a finalizar mais uma obra, desta vez escrita, iniciada em 2006, surge a impressão de desvanecimento do entusiasmo que não só permitiu o início de uma série de obras, relacionadas entre si, como a sua continuação.
E o tempo de realização de todas estas obras surge agora como uma série de memórias: a pesquisa de instrumentos acústicos de todo o mundo e a alegria em recebê-los; a aprendizagem das bases de todos esses instrumentos, as horas passadas em livrarias e bibliotecas; a leitura de uma imensidão de livros; a selecção de informação dos mesmos; as noites passadas a compor e gravar música; a procura pelos "estados de consciência" que permitiam mais facilmente criar. E, por detrás de tudo isso, o desenrolar de imensos acontecimentos marcantes. Períodos da mais intensa alegria e períodos de melancolia. Períodos de uma calma imensa e períodos de uma ansiedade extrema. Como única coisa estável, a vontade de prosseguir e concluir as obras que comandava a vida.
Não faz sentido questionar se valeu ou não a pena (e, sobre tal, já se escreveu demasiado). Simplesmente, aos poucos, esse período vai acabando, à medida que mais obras vão ficando prontas.
Não haverá um regresso. Jamais se regressa. Encontra-se outra qualquer coisa.

terça-feira, 29 de Setembro de 2009

CDs

Quase toda a música jamais editada está disponível em mp3. E quase toda gratuitamente. Mas que alegria tive hoje ao receber vários CDs, poder nos próximos dias ver os boolets com atenção, na mão. E entre os CDs está um cuja música é do projecto de quem escreve estas linhas.

domingo, 13 de Setembro de 2009

Lush - Desire Lines



No primeiro ano na universidade um colega, de cujo nome já não me recordo, emprestou-me uma cassete com os dois primeiros álbuns de Mazzy Star. No fim de um dos lados estava esta canção incompleta que esse meu colega insistia ser Mazzy Star.; eu sabia apenas que não era; Conhecia Lush e até tinha um álbum deles, mas não os associei a esta canção até que um dia o disco que a continha foi-me parar às mãos.
Gosto, mas não sou fã de Lush. Mas esta canção...

sexta-feira, 11 de Setembro de 2009

Ciclos

Há das em que acordamos com a sensação de que algo mudou, de que algo está a acabar., mesmo não tendo ocorrido nada de especial. Desta vez, a intuição diz que um determinado ciclo está a acabar. Mas as intuições são muito, muito falíveis.

De qualquer forma, todos os dias, muito acaba e outro tanto começa. Mesmo nos dias mais monótonos e vazios de acontecimentos marcantes.

Os últimos seis anos foram marcados por uma série de experiências marcantes (passe o pleonasmo). Em vez de seis, talvez seja mais preciso falar de dez. Foi um período de experiências condensadas, algumas mais por vontade própria, outras mais por força dos acontecimentos.
Desde Agosto que o cansaço tem atingido proporções não antes conhecidas. Também foi desde então que começaram a surgir falhas de memória pouco habituais. Mas tudo voltará a estabilizar, o cansaço desaparecerá e a memória já tem melhorado muito.

Que desta vez tenha mesmo aprendido, pelo menos a não cometer os mesmos erros vezes e vezes seguidas. Para aprender é preciso errar mas, tantas vezes, apenas se erra repetidamente, nunca aprendendo. Geralmente, as tentativas de não errar mais não desaguam em mais do que dar uma forma diferente aos mesmos erros de sempre.

Imagine-se um cão amarrado a dar sempre as mesmas voltas, em círculos. De cada vez que inicia uma nova volta repara que as coisas à sua volta mudaram e, por isso mesmo, pensa que a sua condição se alterou. Mas depois dá-se conta de que continua amarrado e que o que falta é soltar-se.

quinta-feira, 10 de Setembro de 2009

A banda que mais ouvi na adolescência

Antes:


E quase agora: