Terça-feira, 18 de Outubro de 2011

Faz mais de um ano que aqui não escrevia.

Tenho andado algo arredado das lides internéticas. Há sempre tanta coisa para fazer que a presença na net fica cada vez mais reduzida. E há muita vida para lá da net. Mas também há um espaço para ela.

E regressei para apenas dizer que me sinto a interrogar a minha vontade.


Já agora, espero saber sempre escrever de acordo com as antigas regras de ortografia.


Sábado, 9 de Outubro de 2010

Um gosto refinado leva tempo a adquirir. Purificar - sinónimo de refinar -, exige sensibilidade, percepção, vontade.

A maior parte não sabe, nem sequer quer saber, como apreciar um "bom" vinho, um "bom" chocolate ou "boa" arte. Não é uma questão de educação ou de conteúdos dos media. Vai sempre haver quem prefira a Céline Dion à Maria Callas, quem prefira um Mars a um chocolate negro, um rosé a um tinto encorpado. Assim como irá haver quem finja preferir a Callas à Dion ou um chocolate negro a um Mars. Como também haverá quem simplesmente acredite no que lhe dizem ser bom, mas não consiga distinguir.

Tudo se pode perceber a várias dimensões, algumas mais próximas do centro do que outras, mas todas sem uma percepção directa do núcleo.

Segunda-feira, 30 de Agosto de 2010

Pensamentos acumulados soltos e sintéticos

Talvez a melhor coisa da concretização dos sonhos ou dos objectivos que vamos tendo na vida seja o espaço que é criado para fazermos outras coisas e percebermos o lugar que tudo na vida tem.

"Everything happens at exactly the right time and place". Há uma ordem necessária nos acontecimentos de uma vida; certas coisas têm que ocorrer primeiro que outras. Podemos culpar o destino em determinadas alturas, mas o que em tais tempos aconteceu é que criou o espaço para que outras coisas boas ocorressem. Por isso mesmo, os acontecimentos não são bons nem maus. São o que são e deveríamos encará-los a todos com a mesma tranquilidade.

A resposta que tenho à velha questão do destino e pré-determinação da vida: possivelmente temos um objectivo ou objectivos pré-determinados a atingir que não dependem dos nossos desejos, mas da vontade que não é pessoal nem individual. O que fazemos para os cumprir, mesmo que nem saibamos que objectivos são nem que estamos a contribuir para algo, torna-nos mais felizes. Se demoramos a aceitar aquilo que nos cabe, sofremos. Se recusamos o que nos cabe, sofremos. Mas também temos livre-arbítrio. Certos filósofos acham que a alma escolhe as condições da sua corporização. A intuição diz-me que isto faz sentido.

Ah, e vivemos para servir. E a quem sabe servir não falta nada.

E, com toda a sinceridade, cada vez me sinto mais ignorante e pasmado perante os mistérios da vida.

Sexta-feira, 13 de Agosto de 2010

Era uma vez uma máscara...

A persona que usei nos últimos anos da minha vida começou a descolar-se da cara. Não sei se terá sido por alterações na humidade do ar ou simplesmente por ter encontrado uma máscara antiga. Tenho estado a restaurar esta persona. Tornou-se entretanto uma nova máscara, do material da antiga.
Sentia saudades dela: usei-a no final da adolescência. É de um material menos rugoso e mais agradável à vista. Ela gosta de ir à praia comigo, prefere cerveja a absinto e conviver com outras máscaras do que olhar-se ao espelho.
Como é uma máscara simpática, não se importa de ser vista à luz do dia. A antiga escondia-se na escuridão.
A antiga vai ser queimada e espero não me recordar dela.

Terça-feira, 10 de Agosto de 2010

O equilíbrio das coisas

Se se soprar até certo ponto numa chama, ela ficará mais viva. Se se soprar demasiado, morrerá.

Segunda-feira, 14 de Junho de 2010

a evasão das fadas (ou o que se escreve a olhar para uma vidraça no aeroporto)

As fadas evadiram-se de uma pequena
Mas pesada gota de chuva,
De entre as milhares que caíram há meia-hora atrás.
Andavam a preparar a sua libertação há meses:
Eu já havia vislumbrado os seus rostos
Há umas noites atrás.
Imaginem quão belos os seus olhos
E os seus cabelos
Presos numa gota de chuva!
As suas formas alterando-se
Com as metamorfoses da gota
Que nunca escorregou pelo vidro
Da janela do quarto de cama.